Inconcusso Texticulista
by Eduardo Almeida Reis
Publicada no jornal Hoje em
Dia (Belo Horizonte-MG), em 20/01/2000
O Conselho dos Sábios da Torá, corte
ultra-ortodoxa de
judeus fundamentalistas de Israel, proibiu o acesso à Internet e impôs as maiores
restrições ao uso de computadores. Além dos computadores, CDs e filmes também
foram incluídos na lista das grandes ameaças ao povo judeu. De acordo com os rabinos
ultra-ortodoxos, a Internet pode trazer a ruína e a destruição de Israel.
Os sábios da Torá dizem que a Internet é um perigo mil
vezes maior que a televisão, proibida há 30 anos pelo mesmo rabinado. A partir da
última resolução, navegar na rede só não será pecado para quem depende da Internet
para trabalhar. Os judeus ultra-ortodoxos que tiverem computadores domésticos devem
eliminar os programas de acesso à Internet, principal fonte de tentação do
mundo, que
incita e encoraja o pecado e a abominação da pior espécie, dizem os sábios
conselheiros da Torá.
Linhas ortodoxas, em qualquer religião, propendem para a
ortodoxia, já dizia o conselheiro Acácio. E a ortodoxia exige o inconcusso cumprimento
da doutrina religiosa, de conformidade com o preceituado. Putz (!), que inconcusso é
dose: firme, austero, inabalável, incontestável, incorruptível. A partir de agora,
aceito ser chamado de inconcusso texticulista.
Mas queria dizer, em nossa conversa de hoje, que os
rabinos da Torá devem estar perplexos, como também estou com o fenômeno Internet. Na
emergência, cuidaram de proibir o acesso dos ultra-ortodoxos à rede, até ver como param
as modas. Ainda não equilatei o tipo de revolução que a Internet está
produzindo, mas
tenho a impressão de que não será pequena. Conto-lhes fato ocorrido com este inconcusso
texticulista nos primeiros dias do ano 2000. Novidadeiro que sou, tratei de encomendar
pela rede uma camisa social, depois que li matéria de Maristela Bretas, editora-adjunta
do caderno Brasília, na primeira página dos nossos Classificados
Inteligentes, edição
3.1.00.
Entrei na Internet e encomendei uma camisa colarinho
francês, tamanho 46, botão 16, sem bolso ou monograma, cor clara, que não sou
bicheiro.
Menos de 72 horas depois, via Sedex, a camisa paulista foi entregue aqui na Rua de Nossa
Senhora das Mercês do Cágado, em Belzonte, MG. Tecido excelente, acabamento magnífico e
possibilidade de devolução, na hipótese do comprador não ficar
satisfeito. Preço,
incluindo frete: R$ 75,00.
Nos shoppings de BH tenho encontrado camisas sociais a R$
50,00, mas de qualidade muito inferior: um produto como este da Internet custa em torno de
R$ 140,00. É verdade que existe a alternativa da camisa sob medida, mas já experimentei
uns três ou quatro profissionais de BH e não me ajeitei com eles. No Rio, conheço
excelente camiseiro que pirou de vez e está cobrando R$ 120,00, só de
feitio.
A partir do exemplo aí de cima, o leitor pode avaliar a
revolução que a Internet vai aprontar nas relações comerciais do mundo
inteiro. Os
sábios da Torá têm razão de estar assustados. Só exageram quando proíbem o acesso
dos ultra-ortodoxos à rede, mas este é problema deles, não meu. Por fim, e por dever de
justiça, o endereço da camisaria num comercial de graça, na forma de costume deste
inconcusso texticulista: www.closet.com.br
Qualidade, um direito do consumidor
by Mário Romito
É fato
consumado, conforme
informam os profissionais de marketing, que em todo os setores, o perfil do nosso
consumidor mudou. Ele ficou mais exigente e principalmente mais consciente dos seus
direitos, pelo lançamento do Código de Defesa do Consumidor, e pela possibilidade de
comparação entre marcas, preço, conforto e durabilidade.
No nosso setor, o do
vestuário, algumas atitudes já tomadas, demonstram claramente a mudança de desempenho
para conseguir alcançar esse novo consumidor, tão diferente daquele que aceitava
passivamente qualquer produto, com problemas, conformado pelo fato de que as coisas
dificilmente mudariam, por se tratar de uma indústria sem normas, sem
tecnologia, enfim
sem possibilidades de mudanças.
Muitas empresas têxteis já
se preocupam em fornecer ao seu cliente, o confeccionista, uma série de
informações,
tanto do uso do produto de sua fabricação, quanto de informações a serem transmitidas
ao consumidor final, demonstrando claramente a visão da necessidade de agregar serviços
para garantir suas vendas.
Uma das boas atitudes que
reforçam esta mudança conceitual, está sendo efetuada pela ABRAVEST - Associação
Brasileira do Vestuário, que lançou, após vários estudos um CERTIFICADO DE
QUALIDADE,
a ser fornecido a todas as empresas que, pela participação de um processo interno de
qualificação, desenvolvido pela entidade, demonstrarem que os produtos que
fabrica, usa
de modo correto normas técnicas ABNT (Associação Brasileira de Normas
Técnicas), no que diz respeito a:
- Etiqueta de composição Têxtil
- Medidas
- Desbotamento
- Esgarçamento
Costuras e acabamento interno do
produto
Temos plena certeza de que, ao cumprir estas exigências de uma forma
técnica e não empírica, melhoramos a qualidade das pequenas empresas, aquelas que a
princípio nada faziam a respeito de melhorias de qualidade do produto, por desconhecer
qual caminho trilhar.
A visualização de que a
empresa participa do programa de certificação, acontecerá pelo uso de uma etiqueta
especial, que comprova visualmente ao consumidor final, da posição da empresa em
relação à qualidade final do produto colocado à venda.
Apresentada à indústria e
ao comércio na última FENIT, o conceito tem tomado forma e recebido adesões não
somente de pequenas, médias e grandes empresas, como principalmente pelo
comércio, que
inicia agora uma campanha de comunicação do fato ao consumidor final.
Este é um dos caminhos que
deveremos trilhar para conseguir que a qualidade seja realmente um direito do consumidor
final.
Mário
Romito
Professor de tecnologia da FAAP MODA
Diretor do depto de tecnologia industrial da ABRAVEST
Diretor da RZR&Associados - Consultoria e Treinamento
Saiba mais sobre Mário Romito: http://www.vestline.com.br
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